quarta-feira, 7 de julho de 2010

Inevitável (parte V)


Finalmente, São Paulo. A minha casa aqui talvez fosse a coisa mais agradável, até agora. Ela era quinze vezes maior que a minha antiga. Eu comparei as plantas.
Eu já estava matriculada no que seria meu novo colégio. Começaria a ir amanhã às aulas, hoje eu iria para algum shopping daqui. Não que isso fosse me fazer sentir melhor. É óbvio que não. Mas, me distrairia um pouco e o que eu mais precisava agora era de distração.
Passei a manhã inteira arrumando meu novo quarto de modo que pudesse ficar parecido com o meu quarto anterior. O que era logicamente impossível, visto que todos os móveis eram novos.
Acabando de arrumar meu quarto, fui andando até o shopping. A distância era de no máximo quinhentos metros.
Olhei no relógio, 13:10 e eu ainda não havia ingerido nada, meu estômago precisava de algo urgentemente. Acelerei meus passos e confesso que isso chamou a atenção de quem passava por mim. Deus, todos pareciam gritar que eu era uma caipira na cidade grande. Como se eu não soubesse que seria assim. Há.
Todos daqui carregavam um ar de superioridade e arrogância até mesmo as crianças.Por um momento imaginei se caso eu tivesse nascido aqui, eu carregaria as mesmas características. Não, improvável demais.
Eu estava distraída demais comendo meu lanche - que por sinal, era o melhor que eu já havia comido em toda a minha vida - quando um sorriso encantador chamou minha atenção. Seu sorriso seria capaz de iluminar toda essa cidade, com a mais absoluta certeza. O dono do sorriso encantador pareceu notar que alguém o observava e virou-se para mim. Seu sorriso teria aumentado ainda mais se isso fosse possível, e imediatamente ele voltou a aparentemente cuidar de sua irmã mais nova. Nenhum dos dois tinha o ar superior e arrogante que todo o resto das pessoas daqui tinham e, observando minuciosamente dessa vez, não haviam mais exceções.
Acabei meu lanche e decidi voltar para casa. Minha cabeça estava doendo muito e se eu não desmaiasse no caminho de volta seria eternamente grata ao meu corpo.
Ao contrário da ida, agora meus passos eram vagarosos demais. O sol insistente sobre a minha cabeça aumentava ainda mais. E, droga. Eu desmaiei.
Acordei em uma cama de hospital. Ó, belíssima chegada à São Paulo. No primeiro dia aqui já estou conhecendo um hospital. Ótimo.
-Você está bem?
-Acho que sim, agora. 
-Seus pais estão ali fora, vou mandá-los entrar.
-Tudo bem...
-Camile! O que aconteceu?
-O mesmo de sempre. Eu estava andando, com dor de cabeça e desmaiei. Pelo menos eu acho que tenha sido isso.
-Isso não pode continuar, temos que descobrir o que você tem. Isso não é normal.
-Pai. Em quantos médicos você e a mãe já me levaram? Quantos deles deram uma diagnóstico convincente? Nenhum. Já me acostumei com isso, algum dia eu melhoro. 
-Acharemos a sua cura. 
-Vou melhorar sozinha. Podemos ir embora?
-Sim, o médico disse que você já está bem.
Levantei e percebi que minha bolsa não estava mais comigo.
-Minha bolsa...Roubaram?
-Não, ela está comigo, filha. Quem trouxe você aqui foi honesto o bastante para não lhe roubar.
-Quem me trouxe aqui, mãe?
-Provavelmente alguém que passava na rua. Esse alguém pegou seu celular no seu bolso e achou meu número. Ligou para mim e eu e seu pai viemos correndo para cá. Mas, quando chegamos, não havia mais ninguém.
-Hum. Agora, vamos?
-Claro.
Cheguei em casa e dormi. Minha vida aqui começaria amanhã, e eu sentia que precisava descansar muito.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Inevitável (parte IV)


Seguindo o roteiro da minha vida nas últimas horas, fiz a única coisa que seria capaz de fazer antes que a loucura se apoderasse de todo o meu ser. Dormi.
Dormi tão profunda e intensamente que só acordei com os gritos insistentes, dessa vez do meu irmão (sou grata por não terem sido da minha irmã, Deus, o grito dela faz meus ouvidos doerem).
- Camile, vai, levanta logo.
- Que horas são?
- Acho que não importa. O Arthur tá ligando no seu celular e no telefone de casa fazem quarenta e cinco minutos.
- Ele me disse para estar na praça as 8:00, droga, acho que dormi demais.
- Então, se eu fosse você correria... São 9:30.
Sinceremante? Não me surpreendi com o fato de que mesmo com todos esses transtornos, toda essa correria eu tenha deixado o sono me dominar. Também não me arrependo por isso, me sentia mais calma agora.
Sai correndo de casa em direção a pracinha sem ao menos me olhar no espelho. Fui arrumando meu cabelo com as mãos durante o caminho, e, isso bastava.
Ou pelo menos, fizeram-me pensar que isso bastava.
- Você realmente achou que poderia ir embora sem uma festa?
-Camile, nós te amamos demais para que você vá embora sem uma despedida, ao menos isso!
- Você mudou nossas vidas. Seremos eternamente gratos por isso.
Ok. Eu não esperava isso. Eu juro, poderia esperar tudo menos uma festa de despedida. Nem tentei esconder meus sentimentos, sabia que seria totalmente em vão. Comecei a chorar loucamente. E, nessa hora, todos os meus amigos, todas as pessoas que eu mais amava, todos que faziam parte da minha vida, todos que jamais seriam por mim esquecidos me abraçaram.
Não me lembro de ter me sentido tão feliz e completa em toda a minha vida. Eu nunca poderia recompensá-los por tudo isso.
Eles pareceram entender tudo o que estava passando em minha mente. Não que eu fosse previsível. Não, isso nunca. Eu surpreendia até eu mesma, as vezes. Mas, eles eram meus amigos. Eles me conheciam e sabiam que isso era típico de mim. E, isso era inegável.
Percebi que todas as músicas que fizeram parte da minha vida durante esses 15 anos que vivi aqui tocaram. Isso era como um sonho.
Que eu sabia que iria acabar assim que o dia amanhecesse...
Mas, naquela noite, nada mais importava.
Eu estava com as pessoas que eu mais amava, com as pessoas que eu teria que dizer adeus. Não havia tempo para pensar no amanhã. Não agora.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Inevitável (parte III)

-Alô?
-Arthur, preciso falar com você. Você pode vir em casa? Agora?
-Claro, estou indo.
Como sempre, ele foi definitivamente compreensível. Típico. Eu conhecia o Arthur desde criança. Ele sempre foi o meu porto seguro, sempre me apoiou em todas as minhas decisões. Eu sabia que o adeus que mais iria doer seria o adeus que eu teria que dizer a ele.
-Camile, abra a porta, sou eu!
Meus pensamentos tomaram conta de mim tão rapidamente que eu perdi a noção do tempo. Poderia ter passado horas olhando para o mesmo lugar, apenas me lembrando de todos os momentos maravilhosos que eu havia passado ao lado dele. Em breve tudo isso não passaria de meras lembranças de um passado bom.
Corri para a porta e destranquei-a. Ele entrou, olhou em meus olhos e imediatamente abriu seus braços. Eu o abracei por minutos inteiros. Gostaria de tê-lo comigo, assim, para sempre.
-Você não sabe, Arthur...
-Shhh. - ele fez um sinal que demonstrava entendimento, impedindo-me de continuar - Conversei com a sua mãe, lá em baixo, e ela já me contou tudo.
-E agora? Como vai ser daqui para frente? Não consigo imaginar minha vida longe daqui, longe de você!
-Hey, acalme-se.
Ele sentou-se ao meu lado e eu deitei sobre seu colo. E então, ele delicademente começou a brincar com meu cabelo. Somente o Arthur sabia como isso me acalmava.
-Obrigada.
-Obrigada? Pelo o que?
-Por você estar aqui. O que quer que você estivesse fazendo, com certeza era melhor que estar aqui comigo. As vezes me pergunto o que eu fiz para te merecer. E sempre acabo chegando a conclusão de que eu não te mereço.
-Quantas vezes terei que te falar para você parar com isso? Camile, por favor, você sabe que somos amigos, e amigos são para isso! Nada poderia me impedir de estar com você agora. Eu sei que você precisa de mim. E estou aqui para te ajudar.
-Obrigada.
E essa foi a última palavra que eu consegui dizer até ouvir o grito da minha irmã.
-CAMILE, VÁ ARRUMAS SUAS COISAS! NÓS VAMOS NOS MUDAR HOJE A NOITE! VÁ LOGO!
Eu e ele ficamos paralisados por dois minutos. Não esperávamos que a despedida fosse tão rápida.
Desci as escadas correndo, e fui perguntar para meu pai por que diabos teríamos que partir hoje. Ele apenas disse que seria melhor. É claro que seria, não era ele mesmo que iria se afastar de todas as pessoas que mais amava.
- Eu não vou sair dessa cidade hoje. Eu NÃO vou.
- Não quero discutir com você. Talvez você tenha razão, partiremos amanhã cedo.
De certa forma, essa já era uma conquista. Subi novamente e não encontrei o Arthur. Em seu lugar encontrei um bilhete que dizia:

Camile, tive que ir. Te encontro as 8:00 na praça.
E, não se esqueça, eu te amo muito!
Arthur.


Então, eu teria que esperar até as 8:00 para poder vê-lo novamente... Liguei o rádio no volume máximo e comecei a ouvir provavelmente pela última vez minhas músicas preferidas nessa cidade.Ou melhor, nessa vida.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Inevitável (parte II)


-Bom, isso será bom para todos nós cinco, e sei que você não gosta dessa cidade; então, acho que ficará feliz.
-Filha, seu pai foi promovido no emprego. Nos mudaremos para São Paulo.
Nesse momento percebi que meus dois irmãos estavam extremamente animados com a ideia. Minha irmã mais nova pulava no sofá, enquanto meu irmão mais velho ligava para todos os seus amigos informando-os da notícia. Meus pais olhavam um para o outro, sorrindo, e pude perceber que esperavam ver um sorriso em meu rosto também. Mas, ele não apareceu. 
O que apareceram foram lágrimas que escorriam incessantemente por toda a minha face. Eu não podia acreditar naquilo, não podia ser real.
Eu realmente não gostava da cidade. Ela era calma demais. Típica cidade do interior onde era possível ver o nascer e o pôr do sol; todos os dias. Eu gostava disso. Do sol.
Gostava da forma com que todos saiam às ruas sem grandes preocupações. Gostava do modo com que as pessoas se cumprimentavam nas ruas. E, nunca pensei que fosse dizer isso, mas acho que até o sotaque um pouquinho arrastado daqui me fazia bem.
Mas, do que eu mais gostava era dos meus amigos. Do meu colégio.
-O que foi? Por que você está chorando? Não gostou da ideia de nos mudarmos, irmã?
Irmã. Era dessa forma que minha amável irmã dirigia-se a mim quando estava preocupada.  Por mais sarcástico que isso parecera ter sido, ela estava preocupada comigo.
Não fui capaz de responder. Apenas corri para meu quarto, tranquei a porta e deixei todas as lágrimas transbordarem. Deixei todas as emoções florescerem e tentei me concentrar em algo. Mas não existia algo. Não existia mais nada. Tudo se fora. Ou, iria.
A imagem de todos os meus amigos passou em minha mente. Cada sorriso, cada olhar. Senti-me sem forças e sem propósitos. 
Ouvi alguém batendo na porta. Minha mãe. Corri para o banheiro, enxuguei as lágrimas e abri a porta.
-Eu acho que deveria esperar isso de você. Que essa fosse a sua reação. Me desculpe.
-Não, mãe. A culpa não é sua. Não existem culpados.
-Filha, pense pelo lado bom. Pense em como será bom vivermos em uma cidade maior. Você ainda verá seus amigos, não com a mesma frequência, mas verá!
E mais uma vez eu era surpreendida com a incrível capacidade materna de ler pensamentos. Não sei como isso ainda me surpreendia.
-É, talvez seja. Mãe, eu queria pensar nas coisas um pouco agora, preciso ficar só um pouco.
-Tudo bem.
Assim que ela saiu, peguei o telefone e comecei a discar o número de quem provavelmente me faria sentir ainda pior. Mas, isso era necessário. Agora.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Inevitável (parte I)

Manhã de segunda-feira. O dia anterior fora bastante cansativo, estive na casa dos meus avós paternos. Eles viviam em um lugar um tanto quanto isolado do resto do mundo, um lugar onde você encontrava paz em cada partícula de ar, em cada pequeno inseto que habitava a grande área verde, em cada estrela que iluminava o céu. A casa era um tanto quanto simples, mas talvez isso fosse fundamental para se poder encontrar a paz de espírito que se encontrava somente lá.  Aquele lugar sempre me fez sentir livre, como se não houvessem barreiras entre noite e dia, vida e morte.
Como de costume, fui acordada delicadamente por minha mãe. Suas palavras não faziam sentido algum em minha mente, talvez eu realmente devesse seguir o conselho de meus amigos e ir dormir um pouco mais cedo. Minha mãe teve paciência suficiente para esperar-me acordar por completo. Caso ela não esperasse, eu obviamente voltaria a dormir. E sinceramente acho que ela não iria querer perder mais quinze minutos para me acordar novamente.
Levantei-me e vi o céu atavés da janela de vidro do meu quarto. O sol havia acabado de nascer, estava radiante e maravilhosamente belo. Apesar disso, estava frio. Ventava muito, e acredito que essa seja a razão por não existirem nuvens no céu.
Olhei o relógio, 06:05. Ok, eu estava atrasada. Apressei-me, peguei dois pães de queijo na cozinha, corri de volta ao meu quarto e vesti o uniforme do colégio. Eu odiava-o.  Terminei de me arrumar quando já faziam dez minutos que meu pai esperava-me impacientemente.
Cheguei no colégio, e como era de se esperar para uma segunda-feira, nada fora do comum aconteceu.
Quando cheguei em casa, meus pais esperavam-me apreensivos na sala de estar. Não entendi o motivo de imediato. Foi então que eles me deram a notícia. A notícia que mudaria toda a minha vida daquele dia em diante.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Solenemente Solstício


'Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.'


O sol nasce igualmente para todos o que muda é a intensidade com que as pessoas o enxergam. A vontade que cada um tem de admirá-lo e de fazer de cada nascer do sol, um maravilhoso e único momento. A consciência de que esse pode ser o último nascer do sol que poderás contemplar. O que muda, é o modo com que tu queres enxerga-lo. Afinal, cada um vê o que quer ver, e acredita nas suas próprias crenças.
O tempo irá passar. Sim, ele passará. E tu não podes ficar aí, parado apenas observando o tempo passar diante dos teus olhos e deixando as coisas acontecerem a sua maneira, sem que interfiras em nada.  Teu destino pode ser mudado, acredite nisso. Acredite em teus sonhos. Acredite que tu és capaz de fazer coisas que são por más línguas ditas serem impossíveis. Acredite em ti mesmo.
Arrependa-se. Mas arrisque. O que vale uma vida que não teve riscos corridos? Apaixone-se incondicionalmente. Sinta o que somente um amor verdadeiro é capaz de fazer-te sentir.
Admire a vida, admire o sol! 
Admire o canto dos pássaros, a brisa suave, o cheiro de terra molhada, as cores de uma borboleta, o incansável trabalho das formigas.
Esqueça de tudo o que está ao teu redor, concentre-se no que está dentro de ti. No que está em sua alma. Reflita, sinta. 
Inspire, expire... 
Deixe os sentimentos fluírem, deixe com que o vento leve suas preocupações e anseios.
Viva cada momento intensamente. E contemple o sol.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Remember Me


Hey!
Bom, como eu tinha tido, estou de volta, hehe :}
Sexta-feira eu fui ver Remember Me. Foi de última hora, minha amiga me convidou para ir no shopping com ela para ver o filme na sexta mesmo (a cidade que eu moro é tão, mas tão desenvolvida que não tem nem cinema, fomos pra Campinas.)
Já tinha ouvido falarem muito bem do filme, mas, sério, superou todas as minhas expectativas.
Desde o começo o filme me prendeu e eu fiquei pensando em como seria o final. Mas o final...Ah o final, não tem como imaginá-lo, é realmente surpreendente. E triste.
Não consegui relacionar o Tyler (personagem do Robert Pattinson) com o Edward Cullen; eles são muito diferentes.
Eu não sou muito fã de filmes, prefiro livros. Mas Remember Me é muito emocionante. Eu chorei muito no fim ._. Ok, eu sou suspeita para falar que chorei, mas é muito triste, mesmo. Mas como não se emocionar com issso?

Qualquer coisa que você faça será insignificante, mas é muito importante que você o faça. Você pode não saber, qual é o significado da sua vida, e não precisa. Precisa apenas saber que ela significa alguma coisa. Toda vida tem um significado, mesmo que dure 100 anos ou 100 segundos. Toda vida tem.E cada morte, muda o mundo do seu próprio jeito. Ghandi sabia disso. Ele sabia que sua vida significava alguma coisa para alguém, em algum lugar, de alguma forma. E ele sabia com muita certeza que ele jamais saberia o significado dela. Ele entendeu que viver a vida, deve ser mais uma grande preocupação, do que um entendimento. E eu também. Você pode não saber, então não leve isto por certo, não leve isso muito a sério. Não adie o que voce quer, não deixe que nada o impeça, apenas tenha certeza, de que as pessoas com que voce se preocupa saibam e tenham certeza do que voce realmente sente, porque só assim, tudo pode acabar.
(créditos pra Helena rs)


Enfim, já tô quase chorando de novo aqui, são 00:30 eu preciso arrumar meu cabelo e amanhã acordar 5:45.
Beijos :*

segunda-feira, 15 de março de 2010

A melancolia do fim

Sentirei falta do seu perfume, do seu sorriso, do seu sussurro em meu ouvido. Das suas palavras, do seu jeito, da paz que você me passava, das risadas, do seu abraço, do seu beijo, do seu modo de fazer o meu mundo parar.
Sentirei falta da maneira que a vida parecia ser, incrivelmente bela e fácil.
Queria que, antes de ouvir o seu adeus, você me explicasse como te esquecer. Como fazer toda essa dor passar.
Por que finais são tão tristes? Tão melancólicos, tão dolorosos? Por que as coisas não acabam, simplesmente?
 Você me completava. Seus defeitos te faziam perfeito. Você me fez sentir algo que eu nunca tinha sentido antes, me fez descobrir a essência do amor, do que é amar. Incondicionalmente.
Sentirei sua falta.

terça-feira, 9 de março de 2010

Para todo o sempre


A janela transparente acusava a chuva que começava a cair. A sala estava se tornando vagamente escura, e, a temperatura havia caído bruscamente nos últimos dias, transformando o momento em ideal para dormir, ler ou assistir algum filme. Mas, não poderia ser assim. Não quando eu tinha algo de extremamente importância para fazer. Algo que eu havia adiando a semanas. Nem imagina o arrependimento que isso me traria. Mas, as coisas aconteceram dessa forma, o passado não pode ser mudado. A única alternativa aceitável para tentar reparar o erro era agir, imediatamente.
Então, levante-me do sofá. Confesso que foi realmente lamentável sair de lá. Eu estava deitada a algum tempo, apenas pensando, não fazia ideia do tempo que havia passado, se haviam sido minutos ou horas inteiras. Lembrei a mim mesma que toda a minha concentração deveria estar voltada ao que eu estava prestes a fazer. Ao que provavelmente mudaria o rumo de uma vida.
E o tempo passava. Cada segundo perdido parecia afligir-me ainda mais.  Claro, se isso fosse possível.
Olhei o relógio, eu havia estado imóvel, apenas pensando por cinco horas seguidas. Agora o pequeno desconforto que sentia tornou-se claro, fome. Óbvio, a última coisa que eu havia ingerido  foi uma barra de cereais, 15 horas atrás. Meu cérebro estava ficando estranhamente...diferente. Não sei o motivo, mas estava.
Um movimento brusco fez o mundo girar. E continuar girando até eu perder o controle sobre meu corpo e cair. Minhas forças haviam sido sugadas.  O ar tornou-se rarefeito e tudo a minha volta tornou-se escuro, sombrio e me trouxe uma sensação estranha. Algo como um déjà vu. Então, o mundo real, doloroso e complicado deu lugar a um mundo onde eu criava as regras. Onde eu escolhia o meu futuro e as coisas que aconteceriam.
Então, uma força muito maior tirou-me do meu mundo e trouxe-me de volta a realidade. Mais doce e delicada essa vez. Meus objetivos, planos e propósitos foram todos esquecidos. Afinal, para que se preocupar com o depois quando o agora te envolve e te domina inteiramente? Quando um eu te amo sincero é dito, quando um beijo lhe é roubado?
Lembrei-me de meu objetivo. Mas era tarde demais, ele não era mais válido. Não quando o eu te amo que eu tinha a intenção de dizer, do fundo de minha alma já tinha sido dito. Com atos que foram capazes de eternizarem o momento. Para todo o sempre.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Melancolia


Uma expectativa, um sonho, uma escolha ainda não tomada. Bilhões de pessoas e apenas uma faz com que o ar torne-se rarefeito e que lágrimas escorram pelo seu rosto vagarosamente. Tantos caminhos, tantas escolhas, tantas possibilidades de um final menos dramático e masoquista. O mundo gira, nada muda. A melancolia continua a mesma, nada tem sentido. E definitivamente não existem possibilidades de algo fazer sentido.

O tempo continua passando e o medo torna-se maior a cada minuto. E isso acaba sendo irracional por algum ponto científico; ou mesmo por uma pessoa sã. A esperança passa a motivar seu coração a continuar pulsando.
Nada está certo.
Você apenas espera que os dias passem, a esperança não se mostra forte o suficiente para que algo mais seja esperado de um dia.
São dois mundos tão diferentes, tão distantes que te fazem desistir. Ou pelo menos pensar nessa possibilidade.
O racional e o irracional se misturam, tornando-se uma única coisa. O certo e o errado, a alegria e a tristeza, o claro e o escuro. O medo e a euforia.
Seus olhos acabam ficando vermelhos, sem você ao menos sentir. O pulsar do seu coração torna-se ainda mais acelerado e o chão parece não existir.
Um suspiro quebra o profundo silêncio na espera de um novo dia. E mais uma vez você só espera por mais um dia.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Vício.


A vida ganhou outra perspectiva. Os sonhos mudaram. E agora são mais difíceis de se realizarem.

Mas mesmo assim, você luta. Seu sonho não pode simplesmente ser deixado de lado. Não com tanta facilidade.
Lágrimas passam a escorrer em seu rosto com uma frequencia inacreditável, o tempo não anda a seu favor. Seu pensamento volta-se a todo momento para uma única pessoa. Um único ser que fez com que você se transformasse. A facilidade com que você aliena-se surpreende até mesmo você. O fio que te conecta ao mundo é desligado. O sonho é bem melhor que a realidade. É mais doce. É mais reconfortante.
Você já não é o mesmo.
Uma outra pessoa passa a controlar suas emoções e a irracionalidade disso te irrita. Você não queria que fosse assim. Mas é mais forte que todas as suas forças unidas. É mais forte que tudo, supera tudo.
E essa não é a única irracionalidade. Definitivamente tudo está errado. Nada faz sentido, nada é racional. Mas é mais forte que você.
O que você mais temia que acontecesse aconteceu. E você se vê dominado pela droga do amor.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ironia


Sua mente encontra-se em estado de transe profundo, seus pensamentos se encontram em um ponto em comum, um nada, uma escuridão sem fim, um caminho sem volta, onde você não tem direção, você nem ao menos é capaz de enxerga-la. Ou ter algum ponto de referência para voltar ao seu estado mental normal, mas quanto mais tenta, mais a escuridão te envolve. O medo acaba cedendo seu lugar para o pavor, cuja intensidade é maior que os gritos em sua mente. Gritos esses que te atormentam profundamente, que atingem seu ponto de fraqueza. Cada célula humanamente fraca do seu corpo se agita, como resposta a alguma pré-reação que seu sub-consciente criou. Sua voz encontra-se extremamente fraca, sendo impossível ouvi-la a trinta centímetros de distância. Você não sabe se seus olhos estão abertos ou fechados, a única coisa que vê é a escuridão que vai adquirindo formas de acordo com o tamanho do seu pavor.
Seu coração continua pulsando, ele já está vazio. Nada é capaz de preencher o espaço oco localizado exatamente no centro dele, e que te causa a estranha sensação de que você está incompleto.
Sua mente continua imersa em pensamentos que não te levam a progresso algum, só fazem com que seu coração tenha menos forças para continuar batendo.
Não existe mais chão. O ar começa a se tornar rarefeito e seu fôlego vai acabando aos poucos. Os gritos tornam-se insuportavelmente fortes, causando-lhe mais uma dor. Física e psicológica.
Você não anda, não corre, não flutua, não voa. Apenas locomove-se. O ar passa a ser mais abundante e consequentemente seu coração bate com mais intensidade e rapidez. Mas os gritos continuam em sua mente, atormentando-o. Algo como uma brisa toca levemente seu rosto, causando uma estranha sensação de alívio.

Seus olhos abrem-se lentamente. Você olha para o lado e descobre que o alívio não veio de uma brisa, mas sim de seu sub-consciente que conseguiu detectar que alguém que te ama estava ao seu lado, fazendo o possível e o impossível para manter seu coração oco e fraco batendo.
E todo o esforço para que seus olhos abrissem é perdido quando a pessoa que esteve ao seu lado delicadamente encosta seus lábios aos seus, fazendo seus olhos fecharem-se novamente.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Inexplicável e incompreensível



As coisas nunca acontecem quando, da maneira, nem demoram o tempo que queríamos. Simplesmente acontecem, no seu tempo e na sua maneira. E a única coisa que podemos fazer é aproveita-las de alguma forma. Nada é em vão.

[minha opinião]O acaso não existe. Tudo o que acontece tem um porquê e pode ser usado de alguma maneira em nossas vidas. Até as piores coisas imagináveis.
O tempo nunca foi e nem será nossa maior aliado. Quando queremos que ele passe o mais rápido possível, os ponteiros do relógio parecem rirem de nossas caras ao invés de girarem. E quando queremos que as coisas durem por muito tempo, ele simplesmente parece pular horas.
Mas para que apressar o tempo, se o seu é limitado? Para que esperar que o tempo passe para fazer alguma coisa? Você nunca sabe o que vai encontrar quando virar a esquina. Aí já pode ser tarde para voltar atrás e fazer o que você tinha deixado para amanhã.
Faça o que tiver vontade, desde que não machuque alguém. Não fique pensando muito em o que fazer nem faça nada sem pensar. Lembre-se sempre, que toda a ação tem uma reação. Não só na física, como em nossas vidas.
Valorize acima de tudo quem está do seu lado te apoiando, independentemente de tempo, lugar e maneira. Não cometa o erro de perceber e valorizar quem realmente te amava quando essa alguém partir.A grande maioria dos seres humanos só sabem dar valor quando perdem alguém.
E é por essas e outras, que quanto mais eu conheço o ser humano, mais eu amo os cachorros.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Quando a realidade vira pesadelo


Palavras limitam demais sentimentos. Limitam vidas. Mas é a melhor forma de tentar se expressar quando 9/10 do mundo vira as costas para você. Os outros 1/10 têm problemas demais, e você não quer e nem pode atormentá-los com mais um. Que vale por mil.

As coisas não aconteceram conforme o esperado. Tudo ficou fora de controle e somente sua força de vontade não foi suficiente para superá-las. Sua mente se mantinha ocupada pensando em o que fazer, enquanto seu coração já sabia muito bem qual caminho seguir. Mas é tão difícil escolher entre a razão e a emoção que você acaba de frente a um precipício que a cada passo que você avança suas escolhas ficam ainda mais limitadas e fica cada vez mais difícil voltar atrás.
Você sente o mundo dizendo um, dois, três 'nãos' para você. Uma cápsula invisível se forma em torno de você, impedindo que as pessoas se aproximem. Ninguém se importa verdadeiramente com você. A sua vida ou a sua morte significam o mesmo para as pessoas que você ama. Para as pessoas com quem você aprendeu a viver de uma forma tão mais intensa e simples.
As horas demoram o dobro, o triplo do tempo para passar. E a única coisa que você quer e se livrar desse pesadelo sem fim que parece piorar a cada instante.
Você se depara com escolhas que não eram para serem escolhas. E que quando você se decide em qual fazer, não pode mais voltar atrás. E se voltar, as coisas nunca mais serão da mesma forma que antes.
As coisas que você mais temia que acontecessem acontecem, todas, de uma única vez.
E a dúvida permanece em sua cabeça, pulsando cada vez mais forte. A única certeza que você tem é que alguma coisa tem que ser feita. Enquanto você não sabe o que fazer, a dor, o sofrimento e a angústia vão te deteriorando. Vagarosamente.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Eternizado


Os sonhos acabaram e os planos foram despedaçados. E eu não, não posso juntar os pedaços. Minha mente se mantém ocupada fixando seu sorriso em mim. Seu olhar alucinógeno me traz as melhores lembranças que se pode ter. Ah, a esperança. Até ela se foi, junto com o seu doce perfume.
O brilho ofuscante que você trazia junto de si nunca será apagado das minhas mais belas lembranças. Esquecê-lo é mais difícil que apagar o brilho de todas as estrelas. Uma por uma.
Seu abraço envolvente e reconfortante foi eternizado em mim.
Suas belas e simples palavras formando planos e criando esperanças maravilhosamente
encantadores se recusam a serem esquecidas.
E isso é o que mais dói.
Saber que você está apenas em minhas lembranças e não ao meu lado.
Que o brilho das estrelas contraria a Ciência e vai ficando mais e mais forte. Sendo ainda mais difícil esquecê-lo.
Ter que aceitar que não posso mais sentir seu delicioso perfume e ouvir suas palavras calmantes.
Ter que entender que a esperança é irracional, inconsequente e absurdamente masoquista agora.
Dói saber que o crepúsculo ao seu lado não passa de um sonho. O mais doce e encantador dos sonhos.
Sonhos.Eternizados em mim.

I miss you


Ainda não consigo entender. Você faz tanta, mas tanta falta .. Seu sorriso contagiante, suas lembranças de um passado distante. Tudo me fazia tão bem!
Não pude te dar todo o amor que merecia. Não dei atenção necessária. E esse peso vai ficar em mim até o meu último segundo de vida.
Suas belas e sábias palavras fazem tanta falta quanto seu olhar sincero e reconfortante.
Continua sendo difícil acreditar.
Que não verei mais seu sorriso e não sentirei seu carinho, afeto e ternura. Que seus olhos estão fechados para a eternidade, sendo impossível que o brilho em seu olhar se espalhe novamente. Que suas palavras foram caladas pela vida. Não é fácil entender, muito menos aceitar. Que você se foi para nunca mais voltar.
E agora faltam-me palavras para expressar o quão grande continua sendo o meu carinho, amor e respeito por você. Por esse exemplo maravilhoso de pessoa, vó !
Tentar colocar em palavras suas inúmeras qualidades chega a ser um insulto. Palavra nenhuma conseguiria expressar o que você era e continua sendo em minhas lembranças.
Vó. Exemplo de luta, superação, respeito e amor; eu sinto sua falta.
E onde quer que você esteja, saiba que eu te amo e admiro muito, muito.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Medo

Por mais que 'medo' pareça mais uma encanação infantil, todos temos medo de alguma coisa.(todos sim, a diferença é que tem pessoas que não admitem ¬¬). Acredito que o medo seja fundamental na vida de todo e qualquer ser humano. Por mais que tentemos nos mostrar fortes o bastante para enfrenta-lo, raramente obtemos sucesso; e isso talvez seja porque não acreditamos que somos capazes de sermos mais fortes que o medo. E isso, é um grande absurdo, deixarmo-nos dominar por um sentimento! Tá, eu sei. Falar é fácil. Mas mesmo assim.
Quem nunca ficou com, nem que seja um pouco, de medo daquela corrente que não repassou? De ser traído? De fazer a coisa errada? De perder a confiança de alguém? De mentir e ser desmacarado? De algum animal? De algum mito ou lenda? Do escuro? De pegar uma doença grave? E o pior de todos. Quem nunca teve medo de morrer?
Acredito que a morte seja a coisa mais 'fantástica' da vida. Não, não, eu não quero morrer nem acho bonito quando alguém morre, muito pelo contrário, choro muito, e fico mal, mesmo se eu nem conhecesse a pessoa, ou a coisa que morreu. Acho 'fantástico' porque inspira muito poetas e escritores, cientistas, religiosos, e, de certa forma, todos nós. Todos em busca de uma única coisa: a morte realmente é o fim? O que acontece durante e depois da morte? Ninguém até hoje tem uma teoria exata sobre isso.
Talvez seja por isso que temos tanto medo de morrer. Temos medo do desconhecido. Medo do que iremos encontrar.
O medo também é fundamental para a vida. Sem ele, não teríamos aquela sensação de vitória quando conseguimos superar algo que antes era considerado como 'medo'. Sem o medo, a vida seria uma desgraça. Não que ela seja uma maravilha para todos, mas imaginem, ninguém com medo de nada. Todos iriam fazer o que bem entenderem sem o 'medo' das consequências. Sim, existem pessoas insensatas que definitivamente não tem medo das consequências. Um serial killer por exemplo. Não tem medo das consequências catastróficas que podem acontecer com ele. Apesar de que, seriais killers são considerados como psicopatas. Psicopatas não usam a mente para cometer seus atos. Psicopatas são doentes e precisam de tratamento.
Então, por maior que seja o seu medo, tente superá-lo. Se não conseguir, busque ajuda. Mas se lembre que o medo é fundamental na vida e sempre estará ao seu lado.

sábado, 11 de julho de 2009

Morte

Meus gritos abafados pelo silêncio incomparável e inexplicavelmente torturante. Minha respiração ofegante devido a alguma matéria estranha no ar que eu inutilmente tentava inspirar. O nada, o vazio, um corredor sem fim. Não era nem escuridão nem claridade, nem branco nem preto. Era algo que eu nunca tinha nem se quer imaginado. As lágrimas que escorriam dos meus olhos pingavam no chão fazendo uma espécie de barulho estranhamente hipnotizante. Agonia.

Minha vida passava pela minha cabeça como em um filme. As pessoas. Vivas ou que já haviam morrido não estavam mais em minha imaginação, andavam em círculos ou algo parecido na minha frente. Diziam palavras que não faziam sentido algum, e me atravessavam. Por isso, deduzi que eu estava invisível. Era como um sonho. Ser invisível! Mas aquela altura o que eu mais queria era poder ser visível e que meus gritos não fossem mais abafados por algo que eu não podia ver.
Aquilo não se tratava de um simples pesadelo. Era real demais. O medo tomou conta de mim, comecei a correr sem rumo, sem saber onde chegar. Quanto mais eu corria, maior se transformava o desespero. Sentei e tudo pareceu se acalmar. Foi quando eu não aguentei mais, e meus olhos se fecharam. Para sempre.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Cada vez mais (final)

Eu fui além das minhas expectativas. Nunca pensei ser capaz de chorar tanto. Isso era...era...Cara, isso era algo que eu não conseguiria aguentar. Seria demais. Eu ainda conhecia meus limites, e isso ultrapassaria todos eles.
-Ele vai morrer.
Isso foi a última coisa que eu lembro ter sido pronunciada por mim. Depois acordei deitada na minha cama e ele estava sentando ao meu lado. Não deixei ele perceber que eu havia acordado, queria entender o que ele ainda fazia ali. Percebi que ele estava totalmente concentrado em cada movimento que eu fazia, talvez com medo de que alguma coisa acontecesse comigo. Acho que ele atribuiria a culpa a ele mesmo. Era hora de 'acordar'.
-Que horas são ?
-Ah, você acordou. Pensei que ficaria desmaiada por mais um bom tempo. Mas se ficasse, eu a levaria ao hospital, e sei que você não iria gostar disso.
-Não, não mesmo.
-Você dormiu por quatro horas, eu acho.
-E você ficou aqui todo esse tempo?
-Sim, fiquei. Eu não seria louco a ponto de te deixar sozinha aqui, no estado em que você estava.
-Perdi quatro horas dormindo sendo que poderia estar ao lado do se irmão. Por favor, me leve para sua casa. Eu preciso vê-lo.
-Isso não seria bom para nenhum de vocês dois.
-Por favor...
Ele concordou com meu pedido. Estava com pena de mim, pude ver isso em seus olhos. Olhei no relógio, três horas da manhã. Não era o horário mais propício a uma visita, mas as horas, o tempo, não andavam a meu favor. Tinha que ser agora. Troquei de roupa, o mais rapidamente possível. Quando desci, ele já me esperava na porta do seu carro.
Foi a viagem mais longa que eu fiz em toda a minha vida. O trajeto, medido em horas, era de pouco menos de quinze minutos. Mas o tempo podia ser comparado a uma viagem de duas horas. Piscicologicamente, já eram seis horas perdidas.
Finalmente chegamos. Apenas a luz do quarto dele estava acessa. Ele ainda estava acordado. Ou já...Não importava.
Fui correndo para o quarto dele. Não fazia a mínima ideia de qual seria a reação dele, nem mesmo a minha.
A porta estava encostada, o computador ligado, tudo exatamente igual a duas semanas atrás.
-Agora eu sei de tudo.
-Sabe de tudo? Tudo o que? O que você estava fazendo aqui? A essa hora?
-Seu irmão me contou o que você tem. Eu precisava te ver. Não sei até quando vou poder te ver. -as lágrimas foram tomando conta de mim. Talvez eu seja mesmo uma emo e ainda não sei...
Ele me abraçou muito forte. E começou a chorar junto comigo. Droga, droga, era verdade. Ele estava mesmo doente. Ele iria morrer.
-Eu não queria te machucar ainda mais. Eu te conheço, achei que essa seria a melhor saída. Para você. Para mim as coisas já estão no fim. Logo logo tudo vai acabar.
-Por favor não fale assim. Ainda temos algum tempo, e por mais curto que ele seja, podemos aproveitá-lo da maneira que quisermos.
-E depois? Eu vou morrer, será que você não entende?
-NÃO, EU NÃO CONSIGO ENTENDER. E será que você também não entende que eu te amo, além de tudo, e que nem a morte vai mudar isso?
-Você diz isso. Você vai achar outra pessoa que vai me substituir, e vai ser capaz de te fazer bem. Coisa que eu nunca consegui fazer.
-Não, ninguém vai te substituir. Acredite em mim, pelo menos uma vez. Você é muito mais que um ser humano que erra, que acerta. Você é em quem eu achei razão para viver. Você se tornou uma parte de mim, e nada vai mudar isso. Nem ninguém, nem nunca!
-Eu também te amo. Muito, vai além de tudo e todos. Você nunca será capaz de ter a mínima ideia. É mais que o infinito.
-E você ainda diz que alguém vai ter a capacidade de te substituir.
-Quer saber? Vamos viver o agora. Todos nós um dia iríamos morrer, a morte não é previsível na maioria dos casos. Eu faço parte de uma exceção. Eu te amo muito, muito, muito, muito, muito, infinitas vezes muito. Enquanto eu continuar respirando, eu te amo, eu te quero, eu preciso de você. Cada vez mais.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Cada vez mais (parte V)

Eu descobri que a minha vida ainda tinha algum sentindo. Mas que ele seria perdido em pouco tempo. Eu não podia fazer nada. Seria como uma parte de mim sendo levada. Como se não houvesse mais luz. Como se a vida virasse preto e branca.

Eu não estava entendendo. O que antes parecia estar fazendo sentido, bagunçou minha cabeça de novo. Como assim ? Milhões de possibilidades consideradas 'estranhas' para pessoas 'normais' passaram pela minha cabeça. Mas nenhuma delas chegou perto do que eu ouvi.
-Por favor, me explique melhor. - eu estava sendo o mais sincera possível - Por que você veio aqui ?
-As coisas, na maneira e no tempo que aconteceram...Não fazem algum sentido para você ?
-Sinceramente? Não. Nenhum.
-Olha, você foi ao shopping com seus amigos, e o encontrou lá, por 'coincidência'.
A forma com que ele pronunciou a última palavra me vez interrompê-lo.
-Você quer dizer que não houve coincidência nenhuma? Que ele fez de propósito, para mim saber que ela esta bem, esta namorando, e me deixar pior ainda?
-Não, não é isso. Em primeiro lugar, você é a coisa mais importante na vida dele.
-Então, se é assim, por que ele me disse tudo aquilo? Por que ele me fez sofrer? Por que ele esta com outra, e não comigo ?
-Não existe outra.
Nada mais fazia sentido. Eu estava em um pesadelo ou isso era real ?
-Como não existe outra ? E a namorada dele ?
-Ele não esta namorando. Você a viu ?
-É..não. Mas isso não significa que ela não exista.
-Preste bem atenção, a história talvez seja um pouco complicada. Ele te deu algum motivo por estar terminando com você ?
-Não.
-O que você acha que seja?
-Ele me odiar. Alguém ter dito alguma coisa para ele. Outra que me substituiu.
-Nada disso. Nem era para mim estar aqui. Ele pediu para que eu guardasse segredo. Cheguei a jurar para ele que não te contaria. Então, estou depositando toda a minha confiança em você. Ele não quer te machucar. Ele não quer te ver sofrer. Ele te ama mais que tudo e acima de todos, me disse isso a duas semanas atrás. E ele terminou com você por não querer te ver sofrer ainda mais. A 'namorada' era para você ver que ele, supostamente, já havia te esquecido e que era para você fazer o mesmo.
Eu estava muito confusa. Como isso? Ele me ama?
-Ele terminou comigo porque me ama? É isso?
-É.
-E isso tem algum motivo que eu seja capaz de entender?
-Tem. Ele esta com câncer no pâncreas. O câncer já afetou vários órgãos, e por isso é considerado irreversível.
Eu estava chorando desesperadamente. Ele iria morrer. Sim, eu sei que todos vamos morrer, mas eu não esperava isso tão..tão cedo! Eu preferia ter sido trocada por outra que isso. Qualquer coisa a isso! Minha vida iria perder o sentindo.
-Esta vendo, por isso ele não queria que você soubesse. Ele sabia que essa seria a sua reação. Ele te ama muito, não queria te ver sofrer. Ele só se afastou de você para que quando ele morresse, o impacto não fosse tão grande para você. Estar longe de você esta prejudicando ainda mais a ele. A noite, ele começa a falar seu nome, inconsciente. Ele parou de sair desde que terminou com você. Ele prefere sofrer junto com você. Ou sofrer no seu lugar.